ANSIEDADE, DEPRESSÃO E ESTRESSE – USO MEDICINAL

Agora que você já sabe o que são canabinoides e sistema endocanabinoide e como eles funcionam, podemos falar sobre as aplicações terapêuticas da maconha sem parecer que estamos falando outra língua. Caso ainda não tenha lido o post Canabinoides e Sistema Endocanabinoide, recomendamos que o leia antes de ler este aqui. Vai facilitar o entendimento e esclarecer algumas dúvidas a respeito do tema.

A maconha vem sendo cada vez mais utilizada o tratamento de algumas doenças. Dentre elas, estão a ansiedade e a depressão. Além delas, é utilizada para aliviar o estresse também que, apesar de não ser uma doença, pode acarretar o surgimento de diversas disfunções. Isso é possível pelo fato dos canabinoides possuírem propriedades ansiolíticas, antipsicóticas e antidepressivas. O principal canabinoide responsável por essas características é o CBD. O THC também apresenta propriedades ansiolíticas em certas quantidades, porém se elas forem muito elevadas, o efeito pode ser adverso, agravando mais ainda o quadro de ansiedade do paciente.

Essas três enfermidades caminham lado a lado, muitas vezes uma é consequência da outra. Por isso, é recomendável que haja um acompanhamento médico e psicológico para que não ocorra nenhum tipo de complicação e o tratamento seja eficaz. Vale ressaltar que atualmente os tratamentos para essas doenças são realizados através dos famosos remédios tarja preta. Esses remédios costumam ser muito fortes, podendo trazer graves riscos à saúde, inclusive dependência física e psíquica.

Estudos Científicos

Devido ao fato desses serem alguns dos tratamentos mais comuns feitos pelos usuários da canabis medicinal, pesquisadores da Washington State University realizaram um trabalho com a finalidade de entender como esse uso medicinal da maconha afeta os sintomas da ansiedade, estresse e depressão.

O estudo foi baseado em dados de um aplicativo chamado Strainprint. Esse aplicativo oferece aos usuários uma maneira de documentar suas respostas mentais e físicas a diferentes strains de maconha. Foram analisadas, no total, 11.953 sessões monitoradas. Sendo 3.151 para depressão, 5.085 para ansiedade e 3.717 para estresse.

Os resultados apontaram uma redução de 50% nos sintomas da depressão logo após o uso da canabis. Os sintomas da ansiedade e estresse foram reduzidos em 58%, também logo após o uso. A longo prazo, os sintomas da ansiedade e estresse permaneceram reduzidos. Entretanto, notou-se um aumento nos sintomas da depressão. Ou seja, o uso crônico tende a aumentar a suscetibilidade à depressão.

Essa suscetibilidade ocorre devido a uma diminuição da disponibilidade do receptor CB1 em áreas corticais. Esse bloqueio do receptor produz um fenótipo similar ao perfil dos sintomas da depressão. Felizmente, as alterações na disponibilidade do receptor CB1 em usuários crônicos são reversíveis após apenas um curto período de abstinência (aproximadamente 2 dias).

Outro estudo muito interessante, realizado por pesquisadores do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), apontou que o CBD demonstrou apresentar potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições. O THC também apresentou efeitos ansiolíticos. Além disso, concluiu que o sistema canabinoide é um alvo promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria e, deste modo, os canabinoides podem ter um grande potencial e aplicação nessa área.

Considerações Finais

Ambos os estudos relataram um possível efeito colateral a longo prazo de induzir depressão. Portanto, volto a dizer: para o tratamento ser eficaz é fundamental o acompanhamento médico e psicológico. Além disso, julgaram carecer estudos relacionado à essa área. Seria a maconha uma ideal aliada aos tratamentos psiquiátricos e substituta para os tarja preta?

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